Vermelho

Meados de 1734, a Inglaterra estava dividida em vários reinos e os povos cada vez mais escravizados eram obrigados a lutar para manter a ganância da rainha Trinethy de Blothevlt que já dominava três reinos e batalhava para conquistar o quarto que era dominado pela rainha Érica de Glaubhort. O que a ambiciosa Trinethy não sabia era que sua mais nova inimiga iria enfrentá-la de igual para igual.
Os reinos de Saltly e Freltho transformaram-se em um reino único e soberano, o reino de Blothevlt, com uma única rainha. Os povos desses reinos foram transformados em escravos e obrigados a lutarem para a conquista de outras terras que fariam de Trinethy a mais poderosa e temida rainha da Inglaterra. A rainha muito respeitada, como exemplo de determinação pelos seus soldados, era vaidosa e andava sempre impecável com vestidos feitos pelos mais famosos costureiros da corte e com os mais caros tecidos. Passava horas em frente ao espelho sempre em busca do seu mais alto grau de beleza, coisa que não precisava, pois a rainha era uma mulher belíssima e todos os homens, reis, príncipes e duques, caiam aos seus pés. Mas seu interesse não era arranjar um pretendente e sim ter cada vez mais poder. Seu castelo era o maior de todos entre os reinos daquela região, o que a mantinha com a imponência desejada. A cor predominante era o vermelho, em tudo tinha essa cor, começando pelo brasão da família, passando pelos tapetes e detalhes em todos os lugares do castelo. Apesar da sua vaidade excessiva Trinethy agora faria planos para dominar o reino de Blothevlt que além de aumentar seu poder na região era um lugar estratégico de saída para o mar, uma coisa a mais para fazer desse reino o mais desejado.
Trinethy mandou chamar imediatamente seu capitão da guarda, por quem tinha uma paixão secreta, para armar as estratégias de combate. A rainha não achava correto atacar outros reinos de surpresa e sempre enviava correspondência avisando dos ataques e com que fins eles se davam, mas nunca avisava quando iriam acontecer. Estratégia pronta era hora de preparar o aviso de ataque sempre escrito pela própria rainha. No bilhete encontrava-se a seguinte mensagem: - Presada rainha Érica, escrevo-lhe para avisar que seu reino será atacado por minhas tropas a fim de ser conquistado para que a região possa prosperar sob o meu comando. Rainha Trinetht de Blothevlt – sempre com um tempo de três dias depois do recebimento da mensagem, as tropas comandadas por Victhor atacavam seus alvos. Mas isso não iria acontecer desta vez. Ao segundo dia da mensagem recebida pela rainha Érica, chega as mãos de Trinetht um convite para um baile realizado todos os anos pelo rei Eduard de Dultmor. Para o baile eram convidados reis, rainhas e outros nobres de toda Europa, era um evento imperdível para a vaidosa Trinetht que imediatamente chamou o capitão Victhor e mandou suspender os planos de ataque a Glaubhort até sua volta, pois gostava de acompanhar de perto o percurso da guerra. No dia seguinte Trinetht parte para Dultmor acompanhada do capitão da guarda e de seu alfaiate particular, que iria terminar o vestido mais caro já feito pela rainha, e mais trinta soldados que faziam sua guarda.
Depois de receber a mensagem de ataque da rainha Trinetht a rainha Érica ficou preocupada e com medo de perder seu reino que prosperava a cada dia, mas ela sabia que não adiantava só preparar a guarda e esperar o ataque dos soldados de Blothevlt. Érica conhecia sua mais nova inimiga e sabia da vaidade excessiva como também da sua presença no baile de Eduard, e que esse evento ajudaria a se aproximar de Trinetht. Pensou imediatamente em oferecer-lhe algum tipo de trato. Partiu imediatamente para Dultmor escoltada por apenas dez soldados. Ao longo de quatro dias as duas rainhas viajavam para o mesmo lugar, mas com intenções diferentes.
Dultmor já respirava festa com o acontecimento de mais um baile e nessa época do ano o reino se tornava o mais importante da Inglaterra, pois reis e rainhas de toda Europa tinham presença confirmada. As duas rainhas chegaram no mesmo dia e foram hospedadas no castelo em quartos vizinhos. As malas de Trinetht foram levadas imediatamente para seus aposentos, pois o seu alfaiate ainda teria muito trabalho para terminar o vestido da rainha. Ao passar em frete ao quarto de Trinetht, Érica viu que seu vestido era muito belo e todo bordado com pedras preciosas então pensou que se vestisse o que havia levado não conseguiria chegar ao menos perto de Trinetht, quanto mais oferecer-lhe um trato. Pensou, pensou e então teve a idéia de fazer um vestido, mas como se não tinha tecidos nem pedras preciosas para colocar em si. Então foi procurar um alfaiate no reino, saiu do castelo em busca de algum e encontrou. Robert fazia costuras excelentes, mas nunca tinha sido reconhecido por nenhum nobre, e recebeu Érica sem saber que se tratava de uma rainha. Érica encomendou um vestido e o alfaiate desenhou um para que ela visse o modelo, depois de aprovado pela rainha o alfaiate começou a costurá-lo com um tecido simples, porém diferente, tingido por ele contendo tons de rosa e vermelho. Faltava, porém, as pedras que também foram conseguidas pelo costureiro, perfeitas réplicas de rubis e pérolas.
Chega a tão esperada noite, a nobreza européia começa a chegar ao castelo do rei Eduard, na entrada as cornetas tocavam e era anunciado o título de nobreza e o nome do nobre. Trinetht colocou um dos seus guardas disfarçados para observar a chegada de todos e quando o último entrasse no baile ele iria avisá-la para que então entrasse com seu vestido bordado de pedras. E assim foi feito, mas o que Trinetht não esperava era que depois dela chegaria uma outra pessoa. O vestido de Érica não ficou pronto no tempo previsto e a demora fez com que ela fosse a última a chegar no baile. Um dos soldados de Érica foi pegar o vestido na casa do alfaiate levando para o castelo onde a rainha ficou adiantando o pentiado. No baile, Trinetht entrava soberana e iluminada, as damas comentavam a beleza do seu vestido e o rei Eduard foi pessoalmente recebê-la na escadaria.
Com meia hora depois da chegada de Trinetht, surgia a bela rainha Érica no portão principal do salão, que pediu para que fosse anunciada com outro nome pois não queria que Trinetht soubesse que se tratava da rainha de Glaubhort. Anunciada como a princesa Catarine de Renascenc as cornetas tocaram novamente e todos se voltaram para a escadaria principal e ficaram admirando a então princesa. Seu vestido de calda longa, mangas com pontas e bordado com rubis e pérolas, sua tiara de diamantes e principalmente sua beleza fizeram com que a entrada e o vestido de Trinetht ficassem esquecidos, apesar de tão recentes. O rei Eduard veio novamente ao final da escadaria receber Catarine que foi imediatamente conduzida e apresentada a quem mais ela desejava, a rainha Trinetht. Imediatamente começaram a conversar e Trinetht perguntou a Catarine quem havia feito tão belo vestido. Respondendo imediatamente, com a voz trêmula, Catarine disse ter sido o seu alfaiate real e que depois apresentava-lhe a rainha. Surpresa com a beleza da princesa, Trinetht imediatamente a convidou para que fosse com ela passar alguns dias no seu castelo antes de voltar para casa. A então rainha Érica que passava por Catarine aceitou o convite segura de que agora ela conseguiria mudar os planos da rainha ambiciosa. Os reis e príncipes cortejavam as duas mais belas mulheres do baile, mas nenhuma estava ali pensando em arranjar um casamento.
No dia seguinte ao baile as duas rainhas partiram para Blothevlt e Érica já havia se tornado amiga da poderosa rainha. Ao chegar no reino o capitão Victhor imediatamente procurou Trinetht para avisá-la que o ataque a Glaubhort começaria no dia seguinte. A rainha não aceitou e adiou o ataque para quando sua amiga voltasse ao seu reino. Nunca imaginava que estava com sua principal inimiga dentro dos seus domínios. Érica mudou seus planos ao ouvir a conversa entre Trinetht e Victhor e colocou um novo plano em ação. Enquanto isso os povos do reino realizavam protestos contra a rainha que em resposta mandava matar os revoltosos em praça pública para servir de exemplo. Nunca tinha se visto durante décadas de reinado da família de Trinetht tamanha crueldade com a população. Érica sabia que teria de agir o mais rápido possível e resolveu observar as estratégias do capitão Victhor, tudo o que era descoberto ela dava um jeito de avisar ao seu capitão da guarda. O que ela não esperava era ter se apaixonado por Victhor que também apaixonou-se pela mais bela das rainhas. As escondidas eles se encontravam, mas Érica não desistiu de tirar Trinetht do poder e fez com que seu amado ajudasse em seu plano. O amor de Victhor por Érica era tão grande que o primeiro pedido ao capitão, braço direito de Trinetht, foi obedecido. Imediatamente ele começou a conspirar contra a rainha. O que ainda não sabia era que a princesa Catarine se tratava da rainha Érica de Glaubhort, mas isso ele só descobriria tarde demais.
As batalhas começaram a ser perdidas em todos os frontes, os escravos e a população do reino pediam a queda da rainha que ainda pensou em sair do reino, mas aconselhada pela sua amiga Catarine resolveu ficar e lutar pelo reino e a coroa. A situação era insustentável, o Clero e seus conselheiros já haviam abandonado a rainha que depois de dez anos de reinado perderia seu trono para Érica e Victhor. Ao ser coroado rei de Blothevlt, Victhor recebeu um pedido de Érica para entregar Trinetht ao povo para julgamento popular e que devolvesse os reinos dominados por ela aos seus respectivos donos. Sem pestanejar o rei assim o fez. No pátio principal do castelo com o seu melhor vestido Trinetht aguardava sua sentença, depois do resultado a mais poderosa rainha já tida na Inglaterra foi enforcada. Como se não bastasse, cortaram seus pulsos e seu pescoço ensangüentando todo o vestido branco que logo ficou da sua cor predileta. Ao mesmo tempo Érica contava a verdade a Victhor que se arrependeu imediatamente de ter traído sua rainha e correu em direção ao pátio do castelo, era tarde demais. Trinetht estava sendo tirada da forca morta, mas bela como sempre. O amor que sentia por Érica transformou-se em ódio. Por ter sido enganado, resolveu então que Érica deveria pagar o mesmo preço de Trinetht, a morte. Mandou que os guardas a prendessem, matassem e a levassem para seu reino onde seu povo saberia dar as honras merecidas. E assim os soldados fizeram. Dois dias depois da morte de Trinetht a rainha Érica foi assassinada pelos guardas reais e mandada para seu reino como desejava Victhor. Depois disso o rei entregou a coroa ao Clero que ficou responsável em escolher um novo rei ou uma nova rainha. Arrependido de ter perdido as duas mulheres da sua vida, uma a quem sempre foi fiel e a outra a quem amou, Victhor se mata na intenção de reencontrá-las em algum lugar.
FIM
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